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1 set

O homem que pedala o mundo inteiro com $3 por dia

E ele já faz isso há quase três anos sem parar
A maioria das pessoas se forma na faculdade e arranja um emprego. Em 2014, Ben Page se formou na faculdade e arranjou uma bike. A partir daí, ele começou a pedalar o mundo, sozinho, com um orçamento de 3 dólares por dia.

Ao filmar e fotografar o caminho por onde passa, o rapaz lançou um clipe intitulado ”The Frozen Road” (“A Estrada Congelada”) em sua passagem pelo Ártico canadense. O clipe nos mostra um Ben na fossa, lutando contra sua realidade difícil, solitária e penosa daquela época.

Embora soe como algo sombrio, o motivo não poderia ser melhor: as pessoas geralmente não comentam sobre as lutas, dúvidas e medos que os aventureiros passam – elas só reportam o lado bom da coisa, como se fosse uma única e indolor travessia.

Fascinados por sua honestidade, trocamos uma ideia com o Ben – que está completando seu terceiro ano de jornada – para uma entrevista, a fim de descobrimos os prazeres, alegrias e dificuldades que ele encontrou ao longo do caminho.

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“Ei, cara, tá precisando de ajuda aí?”

 

OK – Ben, você está no meio de uma baita jornada. Onde exatamente você está agora?

Eu acabei de chegar em Istambul, na Turquia, após seis meses pedalando pela Ásia, desde Pequim (China). Ou seja, é o terceiro continente que passo! Eu comecei o meu rolê há três anos, na Terra do Fogo, nos confins da América do Sul e desde então cruzei as Américas e a Ásia. Devo ter rodado um monte de quilômetros, mas eu realmente não sei o quanto foi – chuto algo na casa dos 30.000 km?

Estou indo agora para a Cidade do Cabo, na África do Sul, para começar a pedalar o norte da África e Europa, até chegar em casa, no Reino Unido. É empolgante embarcar num novo continente e imaginar que tipos de aventuras me esperam pelo caminho.

Você disse que decidiu enfrentar esta jornada enquanto estava na universidade. O que o fez optar por este desafio épico?

Basicamente eu queria zarpar, conhecer o mundo e passar alguns anos fazendo isso. Eu sempre gostei de pedalar, acampar e explorar lugares nos quais os turistas comuns não iriam ou não poderiam ir – e eu não tinha dinheiro suficiente para sair de mochilão por um período grande. Então, todos estes fatores me levaram a pedalar pelo mundo!

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Vistas inacreditáveis pelo caminho

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Pra subir, nenhum santo ajuda

 

Qual equipamento você levou consigo no começo? Como ele foi se modificando ao longo da estrada?

 Eu comecei com uma bike feita de partes antigas de outras mountain bikes que eu tinha em casa, montada a um preço legal por uma loja local. Era uma bike excelente, apesar de ser completamente errada para o tipo de rolê que eu iria acabar fazendo. Rapidamente eu percebi que o asfalto não era uma prioridade, pois iria passar pelas inúmeras conexões das pistas off-road que ligam os países nos quais iria passar.

“… as coisas deram errado e eu fiquei muito mais exposto e vulnerável do que jamais estive”

Felizmente, após 10 meses de luta pelos desertos e montanhas íngremes numa bike inadequada, eu consegui uma Fatback Bike, duma pequena companhia no Alasca, como um patrocínio. Então, pelo Canadá e pela Ásia, eu pedalei uma fatbike, basicamente uma bicicleta com um pneu grande que passa suavemente por tudo que é meio duro ou solto pelo caminho. É a primeira coisa que as pessoas notam quando me vêem chegando, e depois quando eu digo a elas que a bike não tem motor, elas ficam procurando para ver se eu não estou as enganando! Eu já perdi a conta de quantas crianças quiseram pegar a bike para dar uma volta. Mas é legal porque só o fato de eu ter uma bike esquisita pôde gerar ótimos encontros e experiências com outras pessoas.

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O velho cavalo de guerra

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Sob a luz da Aurora Boreal

 

O seu clipe “The Frozen Road” ilustra um lado mais sombrio de uma aventura como esta. Você gostaria de falar um pouco sobre isso, pelo que estava passando na época que o gravou? Parece que você estava numa pior.

Não há dúvidas que todas as aventuras, sejam elas grandes ou pequenas, passam por momentos difíceis. Mas estes momentos ruins são definitivamente contrabalanceados pelos bons momentos. Quando eu pedalei pelo Ártico canadense no inverno, foi uma viagem definida por extremos. Eu tive belos altos e péssimos baixos, além de mãos e pés frios (literalmente). Houve momentos nos quais as coisas deram errado e eu fiquei muito mais exposto e vulnerável do que jamais estive – na hora, foi assustador estar ali.

Mas aí eu percebi que eu havia decidido dar um rolê pelo Ártico canadense no inverno justamente por esta razão – para me sentir com medo e desafiado. Aventuras como esta possuem dois lados. Eu sou levado a elas pelo desafio físico que elas oferecem, para ver o quanto meu corpo pode aguentar. Mas talvez o mais importante foi fazer aquela parte da viagem sozinho.

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The Frozen Road – A Estrada Congelada

 

 Você se lembra da primeira vez em que sentiu alegria novamente após a baixa? Onde você estava e o que aconteceu?

Como disse, todo dia lá no norte era um mar de emoções – houve muitos momentos de solidão, medo e “o que é que eu tô fazendo aqui”, mas também houve muitos momentos nos quais eu não poderia me imaginar fazendo outra coisa. Após terminar o meu rolê no norte, eu voei para a Ásia e me reuni com três amigos. Nós pedalamos em direção ao oeste, a partir de Pequim, juntos, durante três meses, passando pela Mongólia e um bocado da Ásia Central. Foi um tempo incrível e completamente diferente daquele sozinho no “Extremo Norte”. Só pelo fato de passear com os seus amigos, piadas rolando soltas e apostando o quanto conseguiríamos seguir montanha acima, eu tenho excelentes boas memórias do meu rolê com eles.

 

“Numa era pós-Trump, o mundo está sendo pintado como um lugar ruim em geral. Por eu ter pedalado durante dois anos e vivenciado culturas e lugares diferentes; a riqueza e a pobreza, “os perigos” e a “segurança”, minha experiência tem sido surpreendentemente positiva”

 

Como você faz com a comida e a bebida ao longo do dia? Corrija-nos se estivermos errados, mas parece que você não tem muita grana para bancar as coisas…

É, o orçamento é bem apertado! Eu tento me manter num orçamento de 3 a 5 dólares por dia [R$10-R$16 na cotação atual]. Eu planejei um rolê de três anos e estou financiando-o através de um empréstimo estudantil que eu consegui guardar uma parte, além de algumas economias de outros trabalhos meio-período que eu fiz durante a faculdade. Mas mesmo com uma fome de ciclista, na maioria dos países em que pedalei, 3 dólares são mais do que o suficiente para o mingau e o arroz diários, e geralmente dá para conseguir uma refeição local no meio do dia, cuja qualidade é, em geral, questionável…

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Melhor por de sol de todos?

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Iurrul!

 

Quais foram as coisas mais importantes que você considera ter aprendido até agora? Seja sobre você mesmo, sobre o mundo, sobre a aventura ou sobre as outras pessoas?

Eu sinto que o trajeto como um todo me trouxe confiança em situações que, talvez, anos atrás, eu acharia que estariam além do meu alcance. Quando as coisas estão dando errado e você tem que lidar com elas sozinho, isso definitivamente aumenta seu poder de resolução e o faz crer que será possível lidar com situações ainda mais difíceis no futuro. E também, em quase todos os dias que eu pedalei, eu vi ou vivi algo lindo – algo que me fez parar e refletir bastante.

Acredito que, particularmente numa era pós-Trump, o mundo está sendo pintado como um lugar ruim em geral e certamente parece haver uma mudança na percepção das pessoas sobre o mundo como um todo. Não apenas as pessoas do “Ocidente”, mas em todas as partes do planeta. Por eu ter pedalado durante dois anos e vivenciado uma plenitude de culturas e lugares diferentes; a riqueza e a pobreza, “os perigos” e a “segurança”, minha experiência tem sido surpreendentemente positiva. Eu posso honestamente afirmar que não passei por uma única situação na qual me senti ameaçado ou em risco.

O que a sua família e amigos pensam da sua viagem?

As pessoas estão realmente me encorajando. Algumas foram um pouquinho mais céticas no começo e muitos dos meus amigos ainda acham que eu sou meio maluco. Mas com a acessibilidade cada vez mais crescente do Wifi pelo mundo, eu mantenho contato regular com eles, então não é como se eu estivesse completamente fora do mapa. Acredito que ao compartilhar fotos e vídeos dos meus momentos, tanto os meus amigos quanto os meus familiares se sentem mais conectados com a viagem.

 

FONTE: Red Bull

 
 

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