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De carona com elas – Petrobras

Aos 69 anos, ela pedala e incentiva mais mulheres a ganharem as ruas de bike

Teresa D’Aprile é uma das fundadoras do Saia na Noite, grupo criado em 1992 para reunir mulheres que pedalam à noite em São Paulo

Não foi só a tecnologia que avançou dos anos 1980 até hoje. A sociedade também mudou muito. Aos 40 anos de idade, naquela época, uma mulher já seria considerada “velha”. Quem garante é Teresa D’Aprile – e ela fala por experiência própria. Tinha 37 anos em 1985, quando se divorciou do marido: “Eu não trabalhava, não fazia nada. Fiquei casada por 12 anos, separei e resolvi comprar uma bicicleta”. Por que uma bicicleta? Ninguém, nem a própria Teresa, saberia explicar.

Como surgiu essa paixão? Teresa jura que não faz ideia! Só sabe que respondeu à vontade de voltar a pedalar, coisa que não praticava desde criança. Pouco tempo depois já estava trabalhando em uma loja de bikes, namorando um ciclista profissional e participando de suas primeiras competições: “Naquela época, com 42 anos, eu era uma velha! Poucas mulheres usavam a bicicleta como meio de transporte”. Hoje, transborda vitalidade, mantém um grupo feminino de ciclismo noturno chamado Saia na Noite e segue apaixonada por tudo que tenha a ver com bicicleta: “Amo cheiro de pneu de bike”.

Uma trilha transformadora

O ano de 1992 trouxe uma transformação pessoal profunda. Ela decidiu participar de uma prova de Mountain Bike, pela primeira vez, em São Paulo: “Quando cheguei na prova, olhavam para a minha cara e diziam: o que essa senhora está fazendo aqui?”. Se os olhares e comentários a deixaram constrangida no início, a dificuldade da trilha serviu para dissolver de vez aquela sensação incômoda, aquela vontade de desaparecer, aquela preocupação com o que os outros estão pensando. Foram 50 quilômetros sofridos – percorridos por Teresa no dobro do tempo levado pelos demais participantes.

Ela demorou tanto que o carro de apoio apareceu para buscá-la, considerando que ela talvez quisesse desistir da prova:

“Eu falei que não ia com eles, que não ia desistir! Eu posso demorar 10 horas, mas vou chegar!”

Como era a única competidora na sua faixa etária, ganhou uma bicicleta ao completar a prova – em cerca de quatro horas. Mas o prêmio foi muito maior: “Eu tinha sido sempre muito tímida, a vida toda. A partir desse momento, mudei. Não importa se todo mundo dá risada da sua cara – você está fazendo aquilo por você e não pelos outros”.

Compartilhando a paixão com outras mulheres

Depois dos seus 40 anos, Teresa já estava totalmente entregue à paixão pela bike. Participava de pedaladas noturnas com um grupo Night Bikers, fundado pela pioneira Renata Falzoni. Algumas amigas queriam pedalar também, mas eram inexperientes e tinham medo. Então, Teresa separou algumas noites para sair de bike pelas ruas de São Paulo com aquelas cinco ou seis mulheres que estavam dando suas primeiras pedaladas.

A cena era tão incomum (em 1992, um pequeno grupo de mulheres ciclistas pedalando à noite em São Paulo) que uma repórter do jornal Folha de S.Paulo decidiu publicar uma reportagem sobre o grupo: “Ela fez a matéria e, naquela hora, bombou. O telefone não parava de tocar! Aí, batizamos o grupo de Saia na Noite e eu comecei a trabalhar com mulheres”, conta Teresa.

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Surgiu, naquela hora, mais uma paixão na vida da ciclista: participar da transformação que a bicicleta provoca na vida de outras mulheres. Sua recompensa não é financeira – ela ganha a vida prestando assessoria para quem quer comprar uma bike ou evoluir no pedal, além de dar aulas de italiano. Com o Saia na Noite, o que ela recebe não pode ser calculado em reais: “A gente inicia as mulheres no pedalar. Elas chegam com mil histórias, muitos problemas. Com a bicicleta, elas conseguem interagir, arrumar novas amigas. Quando elas melhoram, a gente incentiva a participar de outros grupos. Já fiz vários casamentos! Algumas chegam, não conseguem pedalar nem 3 quarteirões e começam a chorar. Da próxima, anda 5. Depois, 10. E eu desço da bicicleta. Vou atrás. Elas não sabem como vão ser recebidas. Só que as meninas são muito receptivas. A gente não tem regras. Às vezes, anda 2 km e vai tomar um sorvete! É uma coisa muito linda. E a gente consegue se ajudar. Se uma se separa, todas choram juntas”.

Em mais de 25 anos, o grupo já viveu várias fases: casamentos, bebês, divórcios. Hoje, tem passeios light de apenas 10 km e outros mais exigentes, que chegam a 50 km. Tem mulheres de todas as idades e não deixa de fora os homens que desejam acompanhá-las ou que estejam também iniciando no pedal. “Hoje, eu tenho muitas mulheres de 60, 65 – elas pedalam muito! São muitas acima dos 50. Hoje, o asilo inteiro pedala!”, diverte-se Teresa, que, pertinho dos 70, não se importa mais de ser chamada de “vó”.

O que ela não aceita é ouvir um “eu não consigo” de uma mulher – não importa a idade. “Consegue, sim”, ela responde, mencionando as senhoras que estão aprendendo a pedalar depois dos 60. “Não tem idade para aprender” – e Teresa não fala só de pedalar. É claro, a ciclista reconhece e respeita os limites do corpo: “Hoje tem coisas que eu não faço mais. Não me jogo de barranco. Você já fica mais cuidadosa. Eu sou competitiva, gosto de competir, mas faço as provas que eu quero, sozinha, no tempo que eu tiver que demorar. Chego a hora que tiver que chegar”.

Teresa celebra a saúde, o namoro que já dura 28 anos, as companheiras que estão e as que já passaram pelo grupo, e ainda mais uma recompensa trazida por tantos anos vividos sobre duas rodas: “De bicicleta, a gente vê a vida, vê o sol, conhece caminhos alternativos, conhece lugares, começa a descobrir a cidade. É muito bom!”. Não surpreende que declare, assertiva: “Enquanto eu tiver pernas, não vou deixar a bicicleta. Por enquanto, a gente vai”.

Aos 69 anos, ela segue apaixonada e contagia muitas outras mulheres. Em cada canto que passa com seu grupo de pedal noturno povoando as ruas, o preconceito perde um pouco mais de espaço! Sua história é uma inspiração para quem, como a gente, acredita que A Rua é de Tod@s. Você também pode fazer parte desse movimento.

Fonte: Petrobras.

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